O círculo restrito das construtoras, dos bancos e das mineradoras

Por Marco A. Birnfeld | 123@espacovital.com.br

 

O juiz Márlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, afirmou na audiência pública no STF que não é razoável imaginar que as empresas brasileiras estão “doando” dinheiro para as campanhas eleitorais. E alfinetou: “os grandes doadores são apenas as empresas que integram um círculo restrito das construtoras, dos bancos e das mineradoras”. Esses setores que concentram as doações, ressalta o magistrado, são exatamente aqueles que “precisam” manter estreitas relações com o poder público. 

Em seguida, o juiz perguntou: “Seriam esses segmentos empresariais os exemplos de cidadania?”. Ele mesmo garantiu que “todas as demais centenas de esferas de atividade empresarial não participam do financiamento de campanhas”.

Pesquisa realizada pelo Kellogg Institute for International Studies demonstra que as empresas doadoras em campanhas eleitorais recebem, nos 33 primeiros meses após a eleição, o equivalente a 850% do valor doado em contratos com o poder público. Conclui a matemática, então, que é um retorno de 850% em relação à doação - o que, na prática, se constitui num rentável investimento. 

Especialistas também compararam as doações a um sistema de crédito para as empresas, que vão buscar a compensação mais tarde nos cofres públicos. A auditora do TCU Lucieni Pereira, que é presidente da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC), chamou a atenção para o que ocorre com a concessão de benefícios fiscais para atração de empresas: “mecanismo para atrair doações de campanha aos candidatos a governos estaduais”.

 

Sugestão para o plebiscito

Que o TSE formule a seguinte pergunta aos eleitores brasileiros: 

“Você é a favor ou contra saúde, transporte, educação e segurança no padrão Fifa de qualidade?”

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