O futebol precisa da Lei da Ficha Limpa

O meio esportivo mundial está perplexo com as descobertas de desvios cometidos no âmbito da FIFA. Vários dos seus dirigentes, dentre os quais um proeminente cartola brasileiro. se depararam com ordem de prisão cumprida na Suíça. Por via das dúvidas há dirigente evitando participar de reuniões das federações esportivas fora do Brasil.

Enquanto isso, vamos por aqui consumindo nossos próprios escândalos no futebol. Quem não se recorda do caso de corrupção da arbitragem que marcou o Brasileirão de 2005? E o caso do dirigente que desapareceu com dinheiro do seu próprio time?

Não é à toa que um antigo conhecido - ex-presidente de um time de futebol profissional do nordeste - certa vez me saiu com essa: se as coisas ocorrem como vemos na política, imagine o que se passa no futebol? 

Não é bem assim. O meio desportivo é notabilizado pela geração de valores positivos. Os jovens atletas, amadores ou profissionais, desenvolvem níveis mais avançados de sociabilidade, descobrem o valor da ação coletiva e ampliam a capacidade de tolerância à derrota. O esporte, em qualquer modalidade, é um importante gerador de "capital social", como bem observou o professor norte-americano Robert Putnam.

Entretanto, e talvez por isso mesmo, causa particular repulsa a conduta daquele que se aproveita da adesão voluntária da torcida para tomar para si o que não lhe pertence. 

A torcida é antes de tudo um auto de fé; o torcedor, um pagador de promessas. 

Por essa razão todos esperam do time mais que devoção. Foi o Parreira quem disse certa vez que, se tivéssemos gestão profissional no futebol brasileiro, seríamos nesse esporte o que os EUA representam para o basquete. Ele pode ter exagerado, mas chamou a atenção para a necessidade de fugirmos do improviso e do comportamento desonesto.

O caminho até abandonarmos as nossas deficiências será longo, mas há medidas simples que podemos adotar desde logo. 

Assim como o cartola nordestino comparou o futebol à política, penso que é hora de apresentarmos ao mundo do futebol a idéia da Ficha Limpa no processo de seleção dos seus dirigentes.  

Isso mesmo! Se a sociedade brasileira se mobilizou para que fossem implantados critérios mais rigorosos para os registros das candidaturas, o exemplo deve chegar certamente ao mundo do futebol.

De fato, o mínimo que se pode esperar de um dirigente do desporto é que não tenha vida pregressa maculada por condenações proferidas ou confirmadas por tribunais. 

O primeiro time a dar o exemplo foi o Grêmio. Já em 2011 o clube adotou oficialmente as regras da Ficha Limpa no processo de eleição dos seus conselhos de Administração e Deliberativo. Manifesto de público meus parabéns ao time gaúcho. 

Todos os demais deveriam fazer o mesmo. Seria uma ótima mensagem para os aficcionados, além de um alento para as futuras gerações de torcedores. 

Ficha Limpa no futebol, já! 

Márlon Reis.
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